Olá amigo leitor! Na semana passada iniciamos a exposição de um tema muito relevante para os nossos dias. Gostaria de prosseguir com você e incentivá-lo a buscar mais profundamente o entendimento de Deus para a sua casa e família.
Boa leitura!
“DESNUTRIÇÃO AFETIVA
Devagarinho, o indivíduo vai se afastando dos outros e acaba por perder a capacidade de comunicar afeto. Em consequência, as pessoas que o cercam também levantam barreiras. Ele sente falta do amor dos outros e começa a guardar ressentimentos. Quando isso ocorre, não é apenas um membro da família que fica doente, mas o grupo inteiro.
Quero contar uma história verdadeira, que aconteceu com um rei maluco na Idade Média.
Ele queria saber qual era a influência do cuidado e do afeto no desenvolvimento das crianças. Chamou os sábios do seu reino e pediu que fizessem uma experiência. Eles preparariam um lugar para crianças abandonadas e nele os pequenos deveriam ser tratados com todo carinho, todo afeto, e acalentados no colo. Num outro, as crianças deveriam ser tratadas apenas com aquilo que era necessário para a vida, mas sem nenhum toque, sem nenhuma expressão de carinho. Depois de algum tempo, todas as crianças que estavam naquele orfanato sem afeto vieram a morrer. Mas elas tinham o mesmo tipo de comida que as outras, os mesmos alojamentos, era tudo igual, menos o cuidado. A pergunta do rei maluco aos seus sábios foi: “O que aconteceu com essas crianças?” A resposta foi que elas morreram de desnutrição afetiva.
Anos mais tarde, já em nosso século, pesquisadores fizeram esta mesma experiência com macacos e descobriram a mesma coisa: a desnutrição afetiva mata. E há, atualmente, milhares de famílias morrendo por falta de comunhão entre os seus membros.
A desnutrição afetiva pode acontecer em um grau mais forte ou menos forte. Se fosse um problema médico, poderíamos recorrer a um exame de sangue ou a um outro teste para examinar a sua intensidade. Mas na família é diferente, devemos ter olhos clínicos e fazer algumas perguntas. O que está acontecendo com meu marido? Com a minha esposa? Com os meus filhos? Com os meus pais! Precisamos ter coragem de lidar com essas circunstâncias.
Para entendermos melhor a gravidade desta doença, faremos um paralelo com a desnutrição física.
Uma pessoa com estado nutricional normal, ao ter sua alimentação altamente limitada, sofrerá primeiramente gasto energético. Gasta-se inicial-mente a energia acumulada no organismo e em seguida a glicose dos tecidos e do sangue. A próxima fonte de energia a ser utilizada é o glicogênio armazenado nos músculos e no fígado, que fornece reposição das energias perdidas, mas a sua utilização como fonte de nutrição causará apatia, prostração e até síncopes o cérebro sofre muito. Em seguida o organismo começa a usar as reservas adi-posas. O quadro agrava-se: a pele fica mais fina, sem o tecido adiposo subcutâneo. Há grande perda de massa muscular e as feições ficam próximas do esqueleto. A força muscular é tão baixa que o estágio seguinte é o óbito.
Certamente os sintomas são ainda mais graves e, as consequências alarmantes.
A pessoa que está sofrendo desnutrição afetiva, busca afeto onde o julga disponível. A falta de reciprocidade provoca a desnutrição. Na família esta doença começa devagar, talvez com pequenas atitudes de “pouco caso”, o chamado desinteresse. O outro, sequioso de atenção a busca e, repetidas vezes tem sua busca refutada, descartada e, muitas vezes, menosprezada. Acontece com filhos carentes de atenção paterna, com esposas e maridos carentes. O que fazer para evitar que a desnutrição afetiva se instale?
DEMONSTRE AFETO E ALEGRIA
É quase impossível não existir sentimentos especiais de amor, de um membro para com o outro no relacionamento familiar. O que acontece é que às vezes somos atropelados pela vida, de modo que não temos tempo para expressar a importância que marido, mulher, filhos têm para nós. Ou então não sabemos como fazer isso – não aprendemos os processos apropriados para comunicar o afeto, quer seja pelo falar, pelo fazer, pelo tocar. Vamos nos distanciando, ainda que moremos dentro da mesma casa. Construímos mundos tão independentes que não há comunhão e passa a imperar o ressentimento.
Há esposas, por exemplo, que não se sentem mais amadas porque algumas coisas muito simples foram esquecidas. Aquelas expressões de afeto, de carinho, atenção e romantismo sumiram no decorrer do tempo e foram trocadas por um pragmatismo intenso, em que as coisas devem ser feitas imediata-mente. Lá estão marido e mulher, ambos querendo construir um lar, mas atropelados pela correria da vida. Aí ela pergunta:
– Você me ama?
– É claro que eu a amo – ele responde. – Você sabe disso. Há quantos anos nós estamos casados?
Ela dá um sorriso e diz:
– Mas faz tanto tempo que você não diz isso para mim…
Momentos de expectativa intensa podem ser frustrados porque o rolo compressor da vida passou, quebrando muitas coisas que faziam diferença para o relacionamento. É nessas horas que descobrimos que, não importa a posição social ou os elogios que recebemos no trabalho, dos amigos. Há um vazio em nossa vida. É a desnutrição afetiva.
Dinheiro e presentes não compram afeto. Ele vem da comunhão, do relacionamento. É uma declaração da importância que a família tem para você. Há desnutrição afetiva quando se tenta trocar ou substituir estas coisas por outras, e os frutos dela são colhidos ao longo do tempo. A pessoa que sofre de desnutrição afetiva tem a pele menos viçosa, os olhos também não possuem brilho, o cabelo fica quebradiço, sente apatia, desânimo, um cansaço crônico e, quando depara-se com um desafio não consegue enfrentá-lo. Sua aparência apenas externa o que lhe vai no interior.
Há maridos que se sentem abandonados pela esposa dentro da própria casa. Ela é tão boa mãe que não sobrou espaço para ser esposa, não sobrou espaço para ele. Você já viu acontecer algo assim?
Os filhos formam-se, mudam-se, saem de casa e o casal descobre que não sabe mais conversar, que não tem mais nada a dizer um para o outro. O silêncio se torna opressor, sufocante, difícil de suportar…
Aquelas coisas que fazem palpitar o coração na adolescência e na juventude não são mirabolantes. Um olhar, um sorriso, um telefonema, um gesto ou um encontro inesperado são suficientes para alegrar o dia. Não era assim em sua juventude? Pois são essas as atitudes que vão desaparecendo da nossa vida sem que percebamos, substituídas pela pressa do dia a dia. Essas coisas precisam voltar, para que a família possa se entender e continuar saudável.
Esse não é um fenômeno que ocorre apenas com casais. Há filhos que expressam a mesma agonia, e de muitas formas diferentes:
- Buscando a atenção dos seus pais, às vezes de modos positivos e outras vezes negativos.
- Construindo um mundo tão independente que não pode ser alcançado.
- Jogando-se nos braços de alguém o mais rápido possível, na tentativa de saciar a sua fome de afeto.
Eles estão fazendo isso com um empenho que quase os mata, tudo para poder dizer: “Está vendo? Eu sou um bom menino (ou uma boa menina), agora chegou a hora de passar a mão na minha cabeça”. Ou às vezes é o contrário: fazem todo tipo de bagunça e confusão para ver se de alguma maneira recebem atenção. Mas o que vai acontecendo é que quando a desnutrição afetiva invade o nosso coração, construímos um mundo independente. É como se os nossos braços não alcançassem mais o outro. Nossos filhos se isolam, tentando descobrir o que chamo de contrabandistas de afeto: pessoas capazes de suprir o afeto que lhes falta. Este é um momento muito arriscado: quando a desnutrição afetiva ameaça nosso raciocínio. Os sintomas da falta de afeto se agravam de uma maneira tão significativa que a pessoa perde o contato com a realidade. Não consegue ver o amor e o cuidado de seus pais e os busca na companhia de outros. Os contrabandistas de afeto podem estar disfarçados de aliciadores de menores, traficantes e estes conseguimos identificar imediatamente, mas os tão perigosos quanto podem estar disfarçados de amigos e conduzir nossos filhos para caminhos sem volta como a prostituição, alie-nação da realidade através de seitas e heresias e para a criminalidade.
A desnutrição afetiva agrava-se tanto que o indivíduo doente começa a usar os recursos que lhe estão à mão: chantagem emocional, transtornos alimentares, isolamento, compulsão para gastar, para limpeza, etc.
PARTICIPE DA VIDA DO OUTRO
A verdadeira comunhão que nutre o afeto é o participar da vida do outro como uma expressão de amor. É o entrar no mundo do outro, é vibrar, ajudar, elogiar. Comunhão é enxergar o que existe de bom no outro com os olhos do amor, incentivá-lo e motivá-lo com palavras de amor, promover segurança e certeza de aceitação. Toda família precisa viver um amor ativo, que proporcione à cada membro os sentimentos de segurança e aceitação necessários à sua felicidade.
Se isso não acontece dentro da nossa casa, a família está doente e os valores estão invertidos. A família só será lugar de comunhão se priorizarmos as pessoas muito mais do que as coisas – mais que o sucesso, que os amigos, que os programas.
Mas se já fomos tragados por essa doença, o que devemos fazer para sair dela? Ninguém entra de propósito numa situação dessas. Em alguns momentos, dizemos que precisamos reformular nossa vida, mas nem sempre conseguimos.
TEMPO DE TRATAMENTO INTENSIVO
Se a desnutrição afetiva estiver batendo na sua porta, é tempo de tratamento urgente e intensivo, pois a família corre risco. Ela pode se partir, e isso pode ser entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos. E pessoas precisam ser tratadas com rapidez, pois o sistema emocional é frágil e demora muito para ser reconstituído e se o trata-mento não for rápido e eficaz elas podem nunca mais se recuperar.
Se Deus não derramar da sua graça sobre o nosso coração, continuaremos a repetir em nosso viver diário os pecados que cometemos dentro do coração. Precisamos que os valores do Senhor brilhem dentro da nossa alma, e a família precisa identificar qual é a luta que está passando, e pedir graça e poder de Deus para agir. Na medida em que essa graça e esse poder começam a ser derramados sobre nós, é preciso abrir mão de algumas coisas em favor daquelas que são mais importantes. Seremos motivados e despertados pelo Espírito Santo, mas teremos que tomar decisões diariamente.
Será necessário abrir mão de coisas que estão substituindo a comunhão familiar na rotina de cada um. Não dá para colocar tudo na mesma agenda. É preciso dizer claramente para você mesmo: “Estou abrindo mão disso em favor da minha família”. E é preciso orar para que venha de Deus a perseverança para reforçar os vínculos.”
Paschoal Piragine Jr
Que Deus te abençoe!
Pr. Harley Carvalho



















