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Doenças da Família Moderna – 6ª Parte

Amigo leitor, estes textos que tenho transcrito para o seu deleite, são de autoria do Pr Paschoal Piragine Jr em seu livre – “Doenças da Família Moderna – a saúde de sua família está em suas mãos”. Meu objetivo é trazer a você uma leitura saudável que irá ajudar você a conduzir melhor sua família e seus relacionamentos. Boa leitura!

FALTA DE PERDÃO

A falta de perdão provoca separação e gera um desconforto que permanece no coração. É uma doença perigosa, que precisa de tratamento urgente porque, quando não mata, faz com que a vida seja terrivelmente dolorosa.

Veja que situação complicada. Você está organizando uma reunião de família, mas o clima está tenso. Se convidar o tio fulano não pode chamar o tio beltrano porque eles não se falam há anos. Vai dar problema! Normalmente o que se faz é convidar mesmo os dois, mas eles mal se olham. Ficam distantes, se possível cada um em uma sala diferente. O pior é que o mal estar vai crescendo dentro da família, porque as outras pessoas tomam partido de um ou de outro lado. E a família, que devia ser o lugar da comunhão e do apoio mútuo, torna-se um caldeirão de desavenças. Parece que as pessoas estão esperando a primeira oportunidade para desenterrar os podres de cada um. Os erros, as palavras mal escolhidas, as frustrações do passado, está tudo guardado, está tudo na ponta da língua. Quando um grande número de mágoas se acumula dessa maneira no coração, os relacionamentos significativos e verdadeiros são as primeiras vítimas.

Uma família como essa é uma família triste. Todas as coisas boas que possam estar acontecendo com ela terão uma sombra, resultado da dor e da amargura que habitam a alma dos seus membros. A alegria nunca é completa porque tem algo doendo no coração.

Deus sabe que essas coisas acontecem e deixou um recado para nós em 1 Coríntios 13.5: “Quem ama não é grosseiro, nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas”.

Sabe por quê?

Porque a mágoa mata o amor. E ela não aparece somente no relacionamento marido e mulher, mas também entre pais e filhos, entre irmãos. Normalmente essa amargura tem razões fortes. Se você olhar para o seu passado, encontrará situações que o machucaram muito. Se, por exemplo, guarda dentro da sua alma uma situação de abandono talvez você tenha se sentido abandonado em casa pelos seus pais, quando criança, isso pode ter gerado dor no seu coração e estar machucando a sua alma até hoje.

Mas a dor não precisa durar o resto da vida. Esse risco existe: se essa mágoa estiver entre os tesouros do seu coração (ou seja, se for uma prioridade entre os seus sentimentos, for algo que você realmente não deseja pôr de lado), qualquer tentativa de acerto vai dar errado. Isso porque aquela situação que criou o problema de relacionamento ficou no passado e não pode mais ser alterada. Perde-se a bênção do presente e do futuro.

Relacionamentos não são isentos de falhas. Podem ser coisas corriqueiras, mas que por se repetirem muitas e muitas vezes abrem feridas profundas; podem ser atitudes graves, que provocam rupturas no afeto. Se ficarem guardadas como tesouros, essas falhas tornarão doente o indivíduo e a família. O amor adoecerá.

A palavra grega traduzida como “perdoar” significa literalmente cancelar ou remir. Significa a liberação ou cancelamento de uma obrigação e foi algumas vezes usada no sentido de perdoar um débito financeiro. A falta de perdão é uma doença séria. A Bíblia nos traz uma história incrível, verdadeira e de grande ensino.

Jacó tinha doze filhos. Dois deles eram preferidos, pois eram filhos da mulher amada: José e Benjamim. O patriarca Jacó deu a seu filho José uma túnica diferenciada e especial. Este e outros cuidados e demonstrações de amor vindos da parte do pai levaram seus irmãos à ira, à inveja e a uma perigosa investida contra o rapazinho. José tinha apenas dezessete anos quando seus irmãos, cruel e friamente, o venderam como escravo. Longe de seu país, de seus irmãos (especialmente de Benjamim), ele viu-se escravo no Egito, trabalhando de sol a sol. Ele perdeu todas as regalias de filho amado e tornou-se servo. Após algum tempo trabalhando na casa do general Potifar, seu senhor egípcio, José passa a ocupar a posição de supervisor. Mas novo desastre o atinge: temente a Deus, ele rejeita os avanços sexuais da esposa de Potifar. A mulher o acusa de assediá-la e José vai parar na prisão. Em Gênesis 37:39 lemos que ele permaneceu lá aproximadamente por dois anos. Não pensem que as prisões do Egito eram luxuosas e que ele teve alguma mordomia, ao contrário, sofreu maus tratos e trabalhou muito. Mas, como sempre, Deus estava no controle. O faraó teve um sonho e precisava de alguém para interpretá-lo. Os adivinhos de plantão não souberem o significado do sonho de faraó, mas ex-colegas de José na prisão, falaram em seu favor. José interpretou os sonhos do senhor do Egito e foi exaltado, chegando a uma posição de poder abaixo apenas do próprio faraó, José ficou encarregado de cuidar de todo o alimento que havia disponível no Egito. Houve fome na terra. Os irmãos de José vieram ao Egito comprar cereais. José podia vingar-se contra eles. Mas a Palavra de Deus nos relata que José experimentou seus irmãos e, tendo visto o arrependimento deles, recebeu-os com lágrimas, afeto e perdão (Gênesis 45:1-15).

Você acha que foi fácil para José perdoar os anos de afastamento da família? O sofrimento? A dor? A saudade? Certamente não. Muitas pessoas não perdoariam como José fez. E quando a pessoa que nos prejudicou é íntima, é próxima a nós, fica ainda mais difícil. Jesus ensinou: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6:14-15).

LIXO TEM QUE SER TRATADO COMO LIXO

Uma família nunca será lugar de comunhão se o lixo grudado em nossos relacionamentos não for tratado como lixo. Se ele for tratado como um tesouro e ficar guardado no cofre do coração, cada um cuidará sozinho da sua dor, achando que os outros não compreenderão ou pior, se aproveitarão dela. Assim, na hora em que mais precisarmos da família, não teremos apoio algum. A boa notícia é que não é isso que Deus quer para nós.

Ouvi uma história muito interessante em um retiro de casais há alguns anos. Ouvi o testemunho de um pai, que era sargento da Polícia Militar. Quando sua esposa estava para ganhar o segundo filho, eles fizeram um acordo: para ajudá-la, ele cuidaria com mais intensidade do primeiro filho. Desta forma o nenê teria por mais tempo o cuidado da mamãe. Assim aconteceu, ele passou a tomar conta do menino. Veio o parto e o menino ganhou uma irmāzinha, de quem a mamãe cuidava.

O que era para ser uma maneira mais prática de cuidar das crianças, no entanto, virou um problema para a família. Parecia que o papai gostava mais do menino do que da garota. Os anos foram passando e, quando completou quatorze anos, aquela menina estava tremendamente revoltada. Um dia ele foi buscá-la na escola, encostou o carro e viu algumas coisas de que não gostou. Quando ela entrou no carro ele começou uma daquelas conversas sérias que de vez em quando ocorrem entre pais e filhos.

– O que está havendo? perguntou. Tem algumas coisas no nosso relacionamento que eu não entendo. Não compreendo essa sua rebeldia.

Com todas as suas forças, aquela menina olhou para o seu pai e disse:

– Papai, por toda a vida você deu muito mais atenção ao meu irmão do que a mim. Não venha cobrar as minhas atitudes hoje.

Foi naquela hora que “caiu a ficha”. O homem contou que disse à filha o quanto a amava, admitiu os erros, disse o quanto ela era preciosa e explicou que o fato dele cuidar mais do filho era apenas a maneira que ele e a esposa haviam encontrado para conduzir a estrutura da casa. Aquele pai chorava muito enquanto falava aos outros casais. Como foi difícil restaurar o coração da filha! O coração dela foi restaurado, mas houve um trabalho intenso de tirar o lixo que estava guardado lá dentro. É preciso que isso aconteça para que um relacionamento novo possa florescer.

MINISTROS DA RECONCILIAÇÃO

A mágoa precisa ser trabalhada sempre em dois planos. Em um abrimos a porta do coração e começamos a jogar para fora o lixo das lembranças, amargura e dor. Isso precisa acontecer de tal maneira que a realidade deixa de ser filtrada pelos óculos da dor. Por outro lado, a pessoa precisa voltar a ser um instrumento de bênção.

Normalmente o indivíduo amargurado repele qualquer contato. Quando você acredita que ele realmente não quer ninguém por perto e se retira, ele diz: “Está vendo, já foi embora de novo, é por isso que eu fico amargurado”. Ficamos sem entender! Quando nos aproximamos, somos mandados embora; quando nos distanciamos, chora a nossa ausência. A lição então é que para ser instrumento de bênção é preciso não desistir. Deus nos quer ministros da reconciliação.

O ensino de Deus é sempre completo. Quando nos diz, pela Bíblia, que o amor não deve guardar mágoas, também nos dá uma referência muito forte a respeito disso. Quando Ele veio a este mundo, na pessoa do Senhor Jesus, a humanidade estava perdida e havia ofensas muito graves em jogo. Nossos delitos e pecados eram e são ofensas que fazemos a Deus. Mas Ele provou seu amor ao enviar seu filho para o perdão dos nossos pecados.

Pelo pecado nos afastamos de Deus, e o amor nos constrangeu a voltar para Ele.

Há um caminho para o coração de cada homem, cada mulher e cada criança. É preciso aprender esse caminho no caso das pessoas que são significativas para a nossa vida. Às vezes fica difícil porque as pessoas são diferentes, têm temperamentos diferentes e maneiras distintas de enxergar o mundo. Mesmo assim não podemos desistir. E quando o lixo dos relacionamentos está sendo colocado para fora, às vezes acontece uma convulsão dentro da casa. Aprenda a enxergar o lado certo disso: essa convulsão é uma bênção, porque permitirá que se construam alicerces verdadeiros e sólidos.

O perdão é o processo mental ou espiritual que faz cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou contra si mesmo, decorrente de uma ofensa percebida, diferenças, erros ou fracassos, ou cessar a exigência de castigo ou restituição. Cada vez que lemos a definição de perdão nos vêm a memória o sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. A morte de Jesus nos proporcionou perdão e perdão completo.

O perdão pode ser considerado simplesmente em termos dos sentimentos da pessoa que perdoa, ou em termos do relacionamento entre o que perdoa e a pessoa perdoada. É normalmente concedido sem qualquer expectativa de compensação, e pode ocorrer sem que o perdoado tome conhecimento (por exemplo, uma pessoa pode perdoar outra pessoa que está morta ou que não se vê há muito tempo). Em outros casos, o perdão pode vir através da oferta de alguma forma de desculpa ou restituição, ou mesmo um justo pedido de perdão, dirigido ao ofendido, por acreditar que ele é capaz de perdoar.

“O perdão é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração, é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras”.

Lemos na Bíblia Sagrada um exemplo de perdão inspirador – a parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32). Notemos o seguinte: o pai perdoou prontamente o filho mais moço, chamado de pródigo, que foi recebido com festa, com roupas e com o anel do perdão, da reintegração à família. No entanto, faltou perdão da parte do irmão mais velho. Ele se entristeceu com a alegria do pai pelo retorno do filho jovem, irresponsável e gastador. Ele não entendeu a grandeza do perdão, nem ao menos a profundidade e a verdade do arrependimento do irmão. Aquele jovem, conhecido como irmão mais velho é como cada um de nós: falho e humano. Carente de amor e de atenção, ele não entendeu o amor de seu pai demonstrado em atitudes práticas de perdão.

Há duas importantes considerações a serem feitas sobre o perdão:

-Somos pecadores e precisamos do perdão divino.

– Somos pecadores e precisamos nos perdoar mutuamente.

O perdão é libertador – liberta quem perdoa e quem é perdoado. O sentimento é indescritível! A pessoa se sente mais leve, mais feliz. Toda a amargura se vai.

TENHA PAZ!

Mas atenção! Colocar a amargura para fora não quer dizer que você deva jogar os seus problemas em cima dos outros ou despejar as suas frustrações sobre alguém. Colocar a amargura pra fora é, acima de tudo, algo que se faz por amor. Isso é importante, porque sem colocar a amargura para fora não há bênção e a dor se perpetua.

Se os ressentimentos permanecem, a dor continua mesmo que a família se arrebente e as pessoas se separem. Ainda que você vá morar em outro continente, os problemas persistem porque a causa deles não está na cidade que deixou para trás, mas dentro de você. É necessário, então, trabalhar a dor que está na alma e impedir que a amargura dirija a sua vida. Coloque o coração nesse projeto.

Se o leitor é uma pessoa amargurada, a essa altura pode estar experimentando algumas sensações distintas. Você pode estar sentindo a tentação de parar de ler este texto. Ou ainda estar achando que essa mensagem não é para você – aliás, já está pensando em pular para o próximo capítulo. Quando terminar, talvez não queira lembrar do que leu. Nesse caso, é preciso fazer uma advertência: aqueles sentimentos ruins vão continuar dentro de você e os ressentimentos que o incomodam podem se intensificar.

Uma bênção nova pode surgir no lugar deles. Basta que deixe o Espírito Santo tirar esse gosto amargo da boca, mexendo no seu coração e cravando na cruz aquelas ofensas – verdadeiras, é verdade – que o machucaram. Para isso você precisa abrir mão das “notas promissórias” que tem, que já estão caducas, mas que você usa como um espeto para incomodar as pessoas que o feriram. Essa cobrança é um problema. Pense: essas pessoas estão seguindo a vida, muitas vezes nem sabendo do remorso que provocaram. Quem não está vivendo é você. Os benefícios são muito grandes quando o Senhor lança sobre a cruz as feridas do nosso passado.

Algum tempo atrás uma família estava começando a frequentar a minha igreja. Eles começaram a ouvir a Palavra e logo que tomaram uma decisão ao lado de Jesus, Deus começou a trabalhar em várias áreas da vida deles. Numa manhã, era Dia das Mães e eles ouviram uma pregação sobre família. Naquele culto o Espírito de Deus começou a incomodá-los.

Aquela família tinha um problema. Uma briga havia acontecido e eles não se falavam com os pais do marido. Os netinhos já não viam o vovô fazia algum tempo. Mas o Espírito Santo os incomodava. E eles entenderam a mensagem: se pessoas pecadoras como eles puderam se reconciliar com o Deus Todo Poderoso, que é santo e perfeito, então era obrigação deles reatarem os laços com as pessoas que estão próximas. Terminado o culto, a família inteira estava saindo para almoçar, mas eles estavam inquietos. Alguém fez a pergunta:

-Onde nós vamos almoçar hoje?

Foi o suficiente para que a mulher começasse a chorar. Ela disse ao marido:

-Sabe de uma coisa? Está tudo errado. Hoje é Dia das Mães e nós devíamos ir almoçar na casa da sua mãe.

O marido ficou muito feliz. Reconheceu que queria sugerir isso, mas tinha medo, porque a briga antes tinha sido feia. E as crianças sorriam e diziam: “Puxa! Que saudades da vovó!”

Compraram comida e foram para aquela casa, até preocupados com a maneira como seriam recebidos. Bateram à porta e quando abriram foi um susto. Foi uma choradeira santa, porque havia reconciliação naquela casa. No culto da noite daquele domingo estava toda a família, e as crianças vieram trazendo vovô e vovó pela mão para apresentar ao pastor. Eles vieram até mim e disseram:

Viemos a este culto conhecer que igreja é essa que ensina as pessoas a se amarem e reconciliarem.

O mundo precisa de uma mensagem de reconciliação, e o modelo para isso pode ser a sua vida reconciliada. Você já parou para pensar no final do Salmo 23?

“Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.” (Versículos 5 e 6)

Quando Deus, com seu poder, entra na nossa vida, ele pode fazer um banquete de comunhão mesmo que todas as pessoas que considerávamos inimigas estejam sentadas conosco. A graça de Deus faz vínculos novos.

Deus te abençoe!

Pr. Harley Carvalho

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