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“Doenças da família Moderna” 3ª parte

Querido(a) leitor(a), na semana passada falamos sobre afeto no lar. Esta semana vamos falar sobra a necessidade altruísmo, o espírito doador que pode mudar tudo dentro de sua casa. Que Deus abençoe sua vida e sua família! Invista um pouco de tempo aqui, não vai demorar.

Boa leitura!

EGOÍSMO ISOLACIONISTA

O egoísmo afasta as pessoas, na medida em que leva o indivíduo a criar uma expectativa exacerbada em relação a tudo e a todos. O egoísta está sempre cobrando ou exigindo algo de alguém, mas nunca está disposto a ser a bênção que alguém necessita. Uma das curas para esse problema ocorre quando o isolamento é rompido e o doente se oferece para abençoar o próximo.

Quando esta doença entra em cena torna-se impossível que a família seja um lugar de comunhão. Funciona mais ou menos assim: cada um cuida dos seus interesses e espera que os outros o ajudem, mas nunca está disposto a doar-se para o outro. Quando um grupo está contaminado pelo egoísmo isolacionista, há uma cobrança incrível de parte a parte. Sai de cena o auxílio desinteressado e amoroso entre os membros da família e ficam somente sentimentos de dívida e de obrigação.

O Egoísmo isolacionista pode ser comparado ao câncer.

Você sabia que a palavra câncer tem origem no latim e seu significado é caranguejo? A doença tem este nome porque as células doentes atacam e se infiltram nas células sadias como se fossem os tentáculos de um caranguejo. O câncer, assim como o egoísmo pode passar anos sem ser descoberto, mas a evolução é certa e duradoura. Atual-mente, foram identificados mais de cem tipos desta doença. A maioria dos tipos de câncer ou tumores tem cura, são os chamados tumores benignos, desde que identificados em um estágio inicial e tratados de forma correta, mas há tumores malignos.

Um sintoma clássico costuma afetar as famílias que padecem dessa doença. Ele pode ser defini do com uma frase que se ouve com frequência nas sessões de aconselhamento: “É uma família extremamente crítica, só enxerga defeitos”. A maneira de se relacionar é sempre na base da crítica, de uma cobrança tão ferrenha que se torna escravizadora. Quer mais alguns exemplos?

– Ah, fulano não sabe nem arrumar uma mesa!

– Olha só, você viu o beltrano? Ele não dá para nada!

– Você percebeu como ele vive fazendo coisa errada?

O apóstolo Paulo inclui o egoísmo em uma série de sentimentos antagônicos ao verdadeiro amor, nos versículos 4 e 5 do capítulo 13 de 1 Coríntios:

“Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas.”

Quem não vive esse verdadeiro amor está invertendo os processos do amor. Pior: confunde as coisas e chama de amor atitudes condenáveis.

O ciúme possessivo e controlador que muitas pessoas manifestam não é amor, mas uma forma de domínio sobre as outras pessoas. Coisa boa não advém destas atitudes: certamente esse sentimento vai gerar doença na família.

No câncer os tumores aparecem quando as células começam a crescer de forma descontrolada. O tumor desenvolve uma série de redes de vasos sanguíneos para se manter. A pessoa doente de egoísmo isolacionista faz com que tudo e todos vivam para atender às suas necessidades, tudo passa a girar em seu redor. Ela não apenas está doente, mas adoece as pessoas à sua volta. Esta doença é perniciosa à saúde da família, pois o egoísta, para se manter, suga o tempo, a energia e muitas vezes até mesmo as finanças da família. É comum vermos o egoísta dizendo: “Eu nunca tenho direito a nada! Ninguém faz o que eu quero!” Este tipo de pessoa também é tremendamente manipulador e usa as emoções e os bons sentimentos dos outros em seu favor, distorcendo ou torcendo os fatos para que estes o beneficiem.

Através da corrente sanguínea ou linfática, as células malignas chegam em outros órgãos, desenvolvendo a doença nestas regiões. Esse processo de irradiação da doença é conhecido como metástase. Esta doença é perigosa, pois possui capacidade eficiente de reprodução dentro das células e também porque se reproduz e coloniza facilmente áreas reservadas a outras células. O egoísta é assim: ele guarda para si o que deveria ser dividido com os outros e isso em relação a bens, serviços e principal-mente a emoções. É importante ressaltar que isolamento é opcional, é uma escolha, já a solidão não. O egoísta que se isola pensa que é auto-suficiente, que não precisa de ninguém: “Eu me basto”!

Existem vários fatores que favorecem o desenvolvimento do câncer. Podemos citar como principais: predisposição genética (casos na família), hábitos alimentares, estilo de vida e condições ambientais. Todos estes fatores aumentam o risco de uma pessoa desenvolver a doença.

Determinadas infecções podem desencadear o surgimento de tumores no estômago e no fígado. A vida estressante, a alimentação inadequada (rica em gorduras, conservantes e pobre em fibras) tam-bém estão relacionados a alguns tipos de câncer.

TRATAMENTO

O melhor tratamento ainda é aquele que visa evitar o surgimento da doença. Para tanto, os especialistas aconselham as pessoas a ter uma vida saudável: alimentação natural e rica em fibras, evitar o fumo e o álcool, ter uma vida tranquila, fugindo do estresse, usar protetores ou bloqueadores solares e fazer exames de rotina para detectar o início da doença.

Atualmente, a medicina dispõe da radioterapia e de cirurgias para combater a doença. Quando se faz necessário a retirada do tumor, a cirurgia é o procedimento mais adequado. Já a radiação é utilizada para matar as células cancerígenas. Porém, este segundo procedimento tem efeitos colaterais como, por exemplo, queimaduras na pele provocada pela passagem da radiação.

A quimioterapia é um procedimento que visa, através da administração de drogas, impedir a reprodução das células cancerígenas, levando-as à morte. Esse procedimento também tem efeitos colaterais como, por exemplo, a queda de cabelos.

Nos casos de câncer de mama e de próstata é usada a hormonoterapia, pois estes tipos de tumores são sensíveis à ação de determinados hormônios.

APRENDENDO SOBRE DOAÇÃO

– Eu tenho o meu trabalho!

– Essa não é minha função!

– Não tenho nada a ver com isso!

Por orgulho e vaidade o egoísta espera que todos o sirvam, mas nunca se dispõe a servir. Muita gente costuma se comportar assim na vida em família, em especial durante a adolescência. Quem nunca viu isso acontecer? O rapaz ou a moça têm quem lave sua roupa, arrume a cama, limpe o quarto. Mas quando alguém pede sua ajuda, as respostas são parecidas com essas acima: muita reclamação, pouca colaboração.

Alguma leitora pode até dizer: “Meu marido também é assim!” O fato é que este também é um sintoma do egoísmo isolacionista. E isso perturba muito a harmonia familiar. A mulher ou a mãe espera ao menos um pouquinho de ajuda, mas do outro lado só ouve cobrança. É decepcionante. Há ainda aquela grosseria no jeito de falar, que não respeita o sentimento do outro. “Eu sou assim mesmo, você já sabia disso quando casou comigo”, dizem. É outra forma de egoísmo, dizer que não quer fazer nenhum ajuste na vida visando o bem dos outros.

No lar, pequenas atitudes egoístas demonstradas diariamente, vão minando aos poucos o amor, o companheirismo. O egoísta não percebe que o outro parou de se interessar por ele, e está se afastando para não adoecer. Muitas pessoas, no entanto, continuam sob a influência devastadora do egoísta sujeitando-se a ouvir todo tipo de reclamações e exigências. Sujeitando-se a fazer tudo para que o outro permaneça em seu comodismo, em seu estado de letárgica alegria.

O LAR É UM LUGAR DE COMUNHÃO QUANDO VOCÊ SE DISPÕE A DAR-SE

Há uma história bonita que aconteceu com uma família da Primeira Igreja Batista de Curitiba, que eu pastoreio. Uma jovem tinha uma série de problemas de relacionamento com os seus pais e foi morar em outro estado. O tempo passou e ela envolveu-se com uma pessoa, casou-se e teve um filho. A criança nasceu com um problema físico: tinha lábio leporino. A vovó, que residia em Curitiba, foi visitá-los e encontrou a filha com o bebê no colo.

A filha abriu-se com a mãe. Disse que as pessoas achavam o menino feiinho, que algumas não queriam nem pegá-lo no colo. “Mas, sabe, mamãe”, ela disse, “ele é o meu filho, só tem a mim para que cuide dele. Ele é muito especial para mim e eu vou amá-lo pela vida inteira.” A essa altura as duas já estavam chorando.

O mais bonito nessa história é que aquela filha, que havia saído de casa em função da sua rebeldia, estava entendendo o sentido do amor. O amor não acontece em nossa vida por causa da beleza, nem por que agimos corretamente ou porque as notas na escola são boas. Ele aparece simplesmente porque alguém existe, e entregamos o nosso coração para esse alguém. E quando abençoamos ou servimos o outro não o fazemos porque fizeram o mesmo para nós. Não se trata de obrigação: fazemos por amor, porque temos prazer de nos dar em função do outro.

Não existe verdadeira comunhão se pais, filhos e irmãos não se entregarem uns aos outros. Se não houver o espírito de amor que se doa, apenas o amor que cobra, não existirá comunhão dentro da família. Cada um ficará no seu canto, e muitas mágoas e amarguras serão construídas dentro da alma.

O amor é visto por meio de atitudes de doação: mães e pais que abrem mão de alimentos e privilégios para proporcionarem o melhor para seus filhos; pais que trabalham em dobro para dar oportunidade de seus filhos estudarem; mães que permanecem em casa, fora do mercado de trabalho por acreditarem que elas darão estrutura aos seus lares e o inverso também é válido: mães que enfrentam longas rotinas de trabalho para que seus filhos tenham algo muito almejado. Amor é doação. O egoísta isolacionista é incapaz de reconhecer e ter atitudes de doação. Por ser o centro de seu próprio mundo, não consegue perceber as necessidades e a importância do outro.

SUA VIDA PODE SER OFERTA DA COMUNHÃO

A verdadeira comunhão nasce com a doação. Certa vez li um livro sobre a relação entre pais e filhos que contava em um capítulo um caso muito interessante. Falava de um filho que vivia angustiado com seu pai, em quem via todos os defeitos da Terra. O homem era um engenheiro muito sisudo, daqueles que não sabem conversar muito, e o rapaz achava que ele não o amava. Um dia ele desceu até o porão da sua casa e começou a mexer em algumas coisas velhas. Ali ele encontrou folhas e mais folhas de projetos. Eram plantas de próteses de pernas.

Próteses para ele, o filho. O jovem havia sido vítima de uma droga chamada Talidomida. No final dos anos 1950, essa substância era muito receitada por médicos como um sedativo capaz de combater os enjoos matinais das mulheres grávidas. Mas a Talidomida tinha um efeito colateral, que era impedir a formação normal dos membros. E esse jovem não tinha uma perna, devido ao efeito do remédio. O pai naquela época trabalhava para a NASA, a agência espacial americana, e abandonou o emprego para trabalhar na construção de próteses porque queria ver o filho andando. Aprendeu tudo o que existia no seu tempo nesta área. Começou a usar os seus conheci mentos de engenharia e fazer pernas mecânicas. Confeccionou centenas de modelos! À medida que a criança ia crescendo, ele fazia uma prótese nova e adaptada para aquela idade, com novos engenhos. O rapaz que escreveu aquele capítulo revelou que, naquele dia em que encontrou os projetos, descobriu a expressão prática do amor paterno.

Há muitas maneiras de expressar amor, mas a principal delas é quando nos doamos uns aos outros. As famílias precisam de doação, de entrega, de abrir mão de alguma coisa e oferecer seu tempo e seu esforço para a realização do outro. Não importa a idade, não importa se você é menino ou menina, se é adulto. O que importa é que as famílias precisam de comunhão.

A falta de comunhão em uma família é um câncer agressivo, pois como andarão juntos se não há concordância entre as partes? Como estarão em comum união se alguém está promovendo desunião? O pai é uma presença essencial para a estrutura familiar. Talvez você pense que o coração do seu pai é inalcançável. Mas há uma ponte que chega lá: a ponte do seu amor. Empenhe-se em demonstrar o seu amor. Talvez seja a sua esposa! Construa uma ponte de amor, cheia de doação, e você chegará lá do outro lado. O coração do ser humano é ensinável, e normalmente está sedento de amor, de atenção. A felicidade depende da comunhão que se vive dentro de casa. Existem muitas pessoas infelizes nesta Terra e não é por falta de dinheiro, nem por falta de oportunidade, mas é porque as pontes do amor não foram construídas dentro da família. E é espantoso observar quanto choro essas coisas podem provocar, anos lá na frente. O câncer para ser extirpado, muitas vezes precisa ser submetido a fortes radiações. O egoísmo isolacionista para ser interrompido de uma vez por todas precisa ser bombardeado por amor, compreensão, doação. Uma ponte precisa ser construída para alcançar aquele que se isolou. O egoísmo leva a perdas consideráveis. Marcas profundas são deixadas, mas o verdadeiro amor supera todas estas coisas e desfaz marcas e apaga dores.

Quero desafiar você a transformar-se num construtor de pontes nos relacionamentos que estão quebrados, obstruídos, difíceis, apertados. Isso é necessário para que haja comunhão, e você deve fazê-lo em nome de Jesus. Ele é o maior exemplo do que eu estou falando: o amor de Cristo nunca foi egoísta e é modelo para nós.

Um dia Deus olhou para a humanidade e viu que ela estava perdida. Havia uma barreira imensa nos separando do Pai. Eram os nossos delitos e pecados. Deus é santo e não pode ter comunhão com o pecador. Jesus foi a ponte. Jesus veio a este mundo, morreu na cruz do Calvário e tomou o nosso lugar. Desceu ao Hades e tirou das mãos de Satanás as chaves da morte e do inferno para dizer: “Existe um jeito de você ter comunhão com o Pai. Eu já preparei a ponte, ande por cima da minha cruz, venha comigo”. Esse é o tipo de relaciona-mento que precisamos construir dentro da nossa família – não importa o que aconteceu, nem como aconteceu, o que importa é que Deus o colocou dentro dessa casa para ser um construtor de pontes. Não se conforme com a distância, construa uma ponte. O Senhor lhe dará forças para isso, há de lhe dar graça. Se faltarem estratégias, busque-as do céu, em oração, porque isso faz parte da natureza de Deus.

Deus abençoe
Pr Harley Carvalho

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